Se você passar por um bairro judeu nesta época do ano, não se assuste se encontrar pessoas fantasiadas de super-heróis, rainhas medievais ou até mesmo garrafas de ketchup gigantes dançando nas ruas. Você não voltou no tempo e nem caiu em um set de filmagem. Você está presenciando o Purim! Muitas vezes chamado de "Carnaval Judaico" (embora as raízes sejam bem diferentes), Purim é, sem dúvida, a festa mais efusiva, colorida e alegre do judaísmo. É um dia de celebração desenfreada, banquetes, caridade e, acima de tudo, gratidão pela sobrevivência.
Mas o que está por trás de todas as máscaras, do barulho dos raashanim (chocalhos) e dos doces em forma de triângulo (oznei Haman)?
Vamos mergulhar na história e nas tradições fascinantes desta festa única.
Raashanim
De um Decreto de Morte à Vitória Milagrosa
A história de Purim é contada no Livro de Ester (a Megilá), na Bíblia Hebraica. É uma narrativa dramática digna de um filme de Hollywood, cheia de intrigas palacianas, suspense e reviravoltas do destino.
Tudo acontece na antiga Pérsia (atual Irã), sob o reinado do Rei Assuero.
A Ascensão de Ester: O rei, após banir sua primeira esposa, busca uma nova rainha. Ele se encanta por Ester, uma jovem judia órfã que, a conselho de seu tio Mordechai, esconde sua identidade religiosa.
O Vilão Hamã: O rei nomeia um primeiro-ministro chamado Haman, um homem arrogante que exige que todos se curvem diante dele. Mordechai, sendo judeu e prestando reverência apenas a D'us, recusa-se a se curvar.
O Complô e a Sorte: Enfurecido, Haman decide não apenas punir Mordechai, mas aniquilar todo o povo judeu do império. Ele lança sortes (em persa, purim, daí o nome da festa) para determinar o dia exato para o massacre. O dia sorteado é o 13º dia do mês hebraico de Adar.
A Coragem de uma Rainha
Mordechai implora a Ester que interceda junto ao rei. Revelar-se judia e aproximar-se do rei sem ser chamada era um risco de morte. Mas Ester, com coragem admirável, decide agir. Ela pede que todos os judeus jejuem com ela por três dias antes de sua audiência.
E quando vem a reviravolta: No banquete que Ester prepara para o rei e Haman, ela revela sua identidade e expõe o plano maligno de Haman. O rei, furioso ao saber que o plano de Haman alvejava a família de sua amada rainha, ordena que Haman seja enforcado na mesma forca que ele havia construído para Mordechai.
O decreto real original não podia ser revogado, mas o rei emitiu um novo decreto permitindo que os judeus se defendessem. No dia 14 de Adar (e 15 em cidades muradas como Jerusalém), os judeus lutaram e venceram seus inimigos.
O que seria um dia de luto e destruição transformou-se em um dia de alegria e celebração.
As Quatro Mitzvót (Mandamentos) de Purim
Para comemorar este milagre, Purim é marcado por quatro observâncias principais, conhecidas como mitzvot:
A Leitura da Megilá (Mikra Megilá): A história de Ester é lida publicamente na sinagoga, uma vez na véspera de Purim e outra no próprio dia. O momento mais divertido é quando o nome de Haman é mencionado: todos os presentes, especialmente as crianças, fazem o máximo de barulho possível com chocalhos (raashanim), batendo os pés e vaiando para "apagar" o nome do vilão. As crianças curtem muito esses momentos na sinagoga.
- Presentes para os Pobres (Matanot La'Evyonim): A caridade é central no judaísmo, mas em Purim ela é obrigatória. Cada pessoa deve doar para pelo menos duas pessoas necessitadas, garantindo que todos possam celebrar a festa com dignidade.
- Envio de Alimentos (Mishloach Manot): É costume enviar cestas de presentes contendo pelo menos dois tipos diferentes de alimentos prontos para comer para amigos e familiares. Isso fortalece os laços de comunidade e amizade.
O Banquete de Purim (Seudat Purim): Na tarde de Purim, as famílias se reúnem para uma refeição festiva e abundante, com muita comida, vinho e música. É um banquete de pura celebração e união.
As Tradições Divertidas e a Comida
Além dos mandamentos, Purim é rico em tradições culturais que encantam a todos:
Fantasias e Máscaras: Por que nos fantasiamos em Purim? A explicação espiritual é que o milagre de Purim foi um "milagre oculto". Ao contrário da abertura do Mar Vermelho, em Purim a intervenção divina ocorreu através de eventos naturais e da ação humana. D'us estava "disfarçado" atrás dos acontecimentos. Nos fantasiamos para lembrar que as aparências podem enganar e que a mão de D'us está presente mesmo quando não a vemos.
Oznei Haman: O doce icônico de Purim. São biscoitos recheados (tradicionalmente com sementes de papoula, geleia ou chocolate) dobrados em forma de triângulo. Eles são chamados de Hamantaschen (bolsos de Hamã) em iídiche ou Oznei Haman (orelhas de Haman) em hebraico, simbolizando a derrota do vilão.

O Clima de "De Pernas pro Ar": Purim é o dia de quebrar as regras (com responsabilidade, é claro!). Nas escolas e comunidades, é comum fazer "paródias de Purim", brincar com os líderes e rir de si mesmo. É um dia para liberar a tensão e focar na alegria pura. Há até um ensinamento talmúdico (frequentemente debatido) que diz que alguém deve beber vinho em Purim até não conseguir distinguir entre "maldito seja Haman" e "bendito seja Mordechai" – simbolizando a compreensão de que tudo vem de D'us, mesmo as coisas que parecem ruins.
Por que Purim é Importante Hoje?
Purim não é apenas uma festa infantil ou uma celebração de um evento histórico distante. Seus temas são universalmente relevantes:
Coragem diante da Adversidade: A história de Ester nos inspira a encontrar coragem para defender o que é certo, mesmo quando é perigoso. Estamos exatamente nesses dias vivendo a guerra com o Irã para não termos a bomba nuclear que eles estão fazendo para jogar em Israel. Haja coragem e determinação. Uma guerra muito tecnológica e assustadora. Israel e nosso povo sempre quebrando barreiras e sobrevivendo com garra e determinação.
A Força da Unidade: Os judeus se salvaram porque se uniram em jejum, oração e ação. Purim nos lembra do poder da comunidade. Hoje em dia, talvez os religiosos apenas e uns gatos pingados fariam jejum.
O Poder da Mudança: A mensagem central de Purim é que tudo pode mudar "num piscar de olhos" (v'nahafoch hu – "e foi o oposto"). O medo pode virar alegria, e a escuridão, luz.
É pensando nisso, que ensino aos meus filhos não temerem as sirenes, pois somos um povo que sobreviveu muitas guerras e unidos venceremos mais essa.
Então, neste Purim, vista sua fantasia favorita, faça barulho, coma um oznei Haman, faça uma boa ação e celebre a alegria de estar vivo!
Chag Purim Sameach! (Feliz Festa de Purim!)
Gostou deste post? Compartilhe com seus amigos e conte nos comentários: que fantasia você escolheu neste Purim?
Siga-me
Venham comigo!