Poema de guerra - Israel 2026


Sentinela do Abrigo

Às seis da manhã, o aço corta o sonho,

A sirene é o relógio de um tempo medonho.

O corpo, em exaustão, desperta no susto,

Viver entre alarmes tem um alto custo.

Na cozinha, o frango; no peito, a urgência,

A vida pausada pela sobrevivência.

Seis clientes lá fora, o espaço acabou,

Mas o amor de mãe, esse nunca lotou.

Antigamente era o som da cachoeira,

Música suave, uma paz passageira,

Para ninar os pequenos no meu colchão,

Abafando o estrondo com o coração.

Hoje eles cresceram, o medo mudou,

Mas a minha presença ainda é o que ficou.

Não preciso de música ou de artimanha,

Apenas ser o porto que a guerra não ganha.

Pinto com o Benny, lavo o que é preciso,

Entre uma sirene e um curto sorriso.

Sou a sentinela que o cansaço não dobra,

Pois onde há o meu amor, a guerra não sobra.

 

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