Sentinela do Abrigo
Às seis da manhã, o aço corta o sonho,
A sirene é o relógio de um tempo medonho.
O corpo, em exaustão, desperta no susto,
Viver entre alarmes tem um alto custo.
Na cozinha, o frango; no peito, a urgência,
A vida pausada pela sobrevivência.
Seis clientes lá fora, o espaço acabou,
Mas o amor de mãe, esse nunca lotou.
Antigamente era o som da cachoeira,
Música suave, uma paz passageira,
Para ninar os pequenos no meu colchão,
Abafando o estrondo com o coração.
Hoje eles cresceram, o medo mudou,
Mas a minha presença ainda é o que ficou.
Não preciso de música ou de artimanha,
Apenas ser o porto que a guerra não ganha.
Pinto com o Benny, lavo o que é preciso,
Entre uma sirene e um curto sorriso.
Sou a sentinela que o cansaço não dobra,
Pois onde há o meu amor, a guerra não sobra.

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